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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ADEGA DAS DORES


A dor só é boa quando curtida e envelhecida; guardada e sufocada; liberta e expressada.

Dor é boa quando de tão dorido o coração gemer e houver tremores na alma e fizer você em sussurros dizer: “Deus, vou morrer no caminho”.

Ah, como a dor é boa em meio às lágrimas torrenciais, quentes e urgentes que percorrem a face, encobrindo gritos presos na garganta.

Oprimindo, quebrantando, entristecendo, desesperando.

Fadigando, tirando seu rumo, seu brilho, sua motivação.

Nunca vi as pessoas mais rendidas aos braços do Criador como em meio à dor.

Nada nos leva para tão perto d’Ele, do Seu aconchego, Seu colo, Seu acalento.

Doce se torna a dor quando a voz do meu Mestre sufoca o pranto, com voz meiga e suave relembrando quão ínfima ela é diante da Sua glória.

Quem dera na minha adega, ter dado valor a cada peça que tenho guardada!

Estaria tão perto d’Ele.

Seríamos um.