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domingo, 19 de julho de 2015

Quando o Amor nos Encontra

Ele a observava, enquanto ela dormia recostada em seu peito. Um sentimento de ternura explodia dentro dele e seus lábios se contorciam num sorriso de satisfação. Sua respiração era tranquila e seus cabelos dourados tinham um cheiro suave, inebriante, e ele só conseguia cheirá-los e sorrir feito um bobo. Ele não pregou os olhos a noite inteira, mas não se sentia cansado, só queria continuar ali, aproveitando esse momento único.
Ela murmurou alguma coisa ininteligível, enquanto virava-se de lado. Ele abraçou-a no melhor estilo “conchinha” e apertou-a levemente contra si. E percebeu nesse instante, que não conseguiria viver mais um dia sequer sem essa mulher. Nunca fora dado a ímpetos de romantismo, mas tudo nela inclinava-o a isso: seus olhos castanhos meigos, seu sorriso largo sincero, sua pele macia de algodão...

Rendeu-se a ela como uma corsa rende-se ao seu predador, sabendo o quanto é inútil relutar. Ele não seria de mais ninguém, sabia disso. Não importava o quanto isso durasse, ele jamais se entregaria a outro alguém como se entregou a ela. Ninguém jamais o teria por inteiro, ela sempre o possuiria. Esse pensamento o assustou. Ele não podia perdê-la, ou jamais seria feliz por completo. Sentira o gosto real da felicidade, não se contentaria com menos que isso nunca mais. 
Bruna Ramos

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Coragem pra Viver

Porque a vida tende a dar essas voltas bruscas que tira tudo do lugar, desestabilizando, enlouquecendo, deixando a gente em dúvida...
Porque sempre ficamos desnorteados, sem saber o que fazer quando ela nos tira da rotina de ter alguém pra amar, um trabalho para nos sustentar, uma casa para onde ir ao final do dia...
Porque a vida é essa montanha-russa com seus altos e baixos e um loop no meio do caminho, nos deixando de cabelo em pé, nos dando aquele frio na barriga e no final ainda nos fazendo querer bis.
É essa instabilidade, esse “que” de mistério, essa tão grande aventura que a torna tão interessante, tão pulsante, tão motivadora.
Porque ela é exatamente como nós somos: um tornado de emoções, girando, misturando-se, fundindo-se e fazendo florescer vida da vida que já existe. Viver é isso. Somos todos aventureiros.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O mundo das Palavras

Que falta que as palavras me fazem. 
Eu me perco quando não as encontro e me satisfaço quando estamos em sintonia.
É uma sensação de plenitude e quietude.  
Sim, quietude. 
Quando dialogamos me enrosco numa paz que  só eu consigo entender que só elas podem me dar.
É em um mundo todinho meu...

A linha tênue do Amor

Estava pensando, olhando pra trás e tentando catar os pedaços deixados por lá. Como não percebi o quanto estávamos nos perdendo? Por que não notei que o barco estava minando? Talvez a sutileza dos acontecimentos, a beleza das palavras ditas da boca pra fora e a ilusão de ver que tudo estava bem, quando na verdade nada estava no lugar. É, nem eu.
 A verdade é esta: perdemo-nos. Desencontramo-nos, depois de tantos encontros. E não posso dizer que é a primeira vez. Quem dera pudesse dizer que era a última! Existe instabilidade, sentimento, dor, passado, ligação... Ingredientes de uma história mal resolvida, mal digerida. E agora não temos tempo para conversa fiada. Não quero mais ouvir meias verdades, cansei de te ter em parte, quando me dei além do que é humanamente possível.

Não vou dizer que você é ingrato! Talvez egoísta. Mas eu também não fui? Só que a dor que as imagens, os sons e até o aroma me trouxeram, tornaram tudo insuportável. A verdade é essa: não te suporto agora, embora te ame. Isso não é compreensível, mas eu também nunca fui. Não quero fazer sentido, só quero ter o direito de expressão. E de solidão. E de curtir a minha dor. Não te quero mal, não te quero e ponto.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Triste Canção

O mar parecia calmo, a brisa soprava suave movendo lentamente os seus cabelos. Sei que não deveria, mas eu achava-a linda por trás daquelas lágrimas. A minha vontade era de correr e abraça-la, entretanto a única reação que tive foi vê-la dar as costas. Eu ali, tão inabalável, tão centrado e ela triste, decidida, não mais minha.
Caí de joelhos e a areia me recepcionou macia, o vento soprou mais forte e as folhas das palmeiras gemeram em protesto, seria por mim ou pelo vento? A chuva começou a banhar-me, sendo difícil dizer se chovia mais dentro ou fora de mim, embora isso já não importasse. Deitei-me ao lado de suas pegadas, tentando buscar parte dela, porém a chuva cruel apagou qualquer vestígio de sua presença – ou terá sido minhas lágrimas?
Ainda no chão, virei-me para o Céu e senti as gotas acariciarem meu rosto dizendo “sinto muito”, sendo gentis choraram comigo a minha dor. Senti as águas do mar encostar em minha pele, parecia querer abraçar-me, a natureza e eu estávamos em sintonia. Permaneci imóvel, sentindo o mar tomar-me em seus braços, fechando os olhos para sentir – ou não sentir, quem sabe? – entendendo que aquilo poderia ser o fim ou o começo, e as duas coisas ao mesmo tempo.
Foi então que senti um outro abraço. Tão desesperado, tão urgente, tão familiar. O cheiro, a pele macia, o abraço apertado em um encaixe perfeito, nada daquilo era estranho. Abri os olhos. Lá estava ela, linda a minha frente e numa fração de tempo, eu não podia mais tocá-la.

sábado, 31 de agosto de 2013

Renovo


Os planos existentes já não cabem mais em mim, apertam os meus pés de modo que já não posso caminhar direito. É preciso renovar os sonhos ou talvez os personagens, não estou certa do que exatamente, mas sei que é preciso. Difícil é começar uma jornada sem saber de que ponto partir, o que levar na mala e o que levar apenas na lembrança.
Talvez seja o medo de me desfazer das coisas ou de agregar outras novas, mas algo me prende aqui e isso está a me corroer. É preciso ter coragem para seguir em frente e mais ainda, ter força de vontade para não olhar atrás. O passado compõe o que somos hoje, devemos ser gratos pelo bem - ou mal – que ele nos fez, mas nunca devemos ser escravos e aí está a questão.

Será a escravidão do passado que está a prender tantos na eterna rotina da infelicidade? Será mesmo os sentimentos que nos prendem? Mas de que sentimento estamos falando, o amor ou o medo? Ou pior ainda, o conformismo? Que eu nunca me acostume com um estilo “mais-ou-menos” de viver, onde essa gangorra pende sempre para o lado “menos” de ser. Menos espontânea. Menos sorridente. Menos feliz. Quero uma vida “mais”, uma vida nova. Um renovo. Re-novo. De novo. Sempre que eu precisar.
Bruna Ramos

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Segundo o coração de Deus


E não deram nada por mim. Julgaram-me pela aparência e pelo que eu possuía. E pelo que não possuía também. Até os meus tinham-me como incapaz e quando a oportunidade de ser mais surgiu, fui tristemente excluído, esquecido.
Mas a minha casca não dizia nada sobre mim, pois não revelava quantos leões e ursos tive que enfrentar para estar de pé. O que ninguém sabia é que o meu louvor alegrava o coração do Senhor. E que a intimidade que tínhamos ainda iria me levar muito além. Muito mais do que esperava, pedia e merecia.
Guardei a promessa, cingi os lombos, travei batalha com gigante. Mas o desprezo dos homens ainda me perseguia, mas em Deus eu tinha valor. Atravessei as tempestades e vendavais, certo que venceria, pois  o Maior era comigo. E venci. Entre erros e acertos vivi a promessa e Deus não me abandonou. Jamais. Até o fim guiou-me e sua misericórdia ainda se estende por gerações.
A misericórdia dEle te alcançou. Olhe em volta, veja o quanto tens por causa dEle. Não olhe apenas os bens materiais, mas veja quantos leões, ursos e gigantes enfrentas todos os dias sem desmoronar, sem se deixar vencer. É Ele, querido quem tem estado contigo, te sustentado, te amparado. Sinta o Seu carinho, escute Suas palavras de amor. Ele te ama. Não resista. Você também pode ser segundo o coração de Deus.

Bruna Ramos

sábado, 13 de julho de 2013

Caminho a Dois


Há um tempo eu vivia quase feliz. Sorrisos pela metade, meia dúzia de amores tão vazios. Parecia não haver ninguém que me fizesse sentir plenitude. Não queria amor perfeito, mas  amor pleno que me sacia-se ao mesmo tempo que me fizesse querer mais, cada dia mais.
Eu era insatisfeita. Nada me encantava, me seduzia, me atraía. Eu sempre tão apaixonada pela vida, não consegui me apaixonar pelos viventes. Era solitária de alma, sendo cercada por tantas pessoas. Não que eu não fosse amada. O problema era esse: eu era! Mas me faltava aquele tipo de amor arrebatador, aquele que rouba você de si mesma, sabe?

Então você sorriu. Com os  lábios. Com os olhos. Todo você era sorriso. E eu sorri de volta. Porque o amor é simples e despreocupado e eu sabia que ele estava naquela calmaria. Foi tão diferente do esperado. Tão melhor. Tão infinitamente mais.  Tão pleno. Tinha que ser você.
Bruna Ramos

O Tempo traz bons Ventos


Hoje  parece o momento oportuno para falar sobre o tempo. Ele que nos acompanha incondicionalmente e por vezes tem sido nosso companheiro. Ele curou feridas, apagou lembranças, levou o inverno, trouxe o verão. Secou a erva, fez florescer novas flores, secou lágrimas e fez brotar novos sorrisos.
Mas nem sempre contamos com ele ao nosso favor. Por inúmeras vezes quisemos que ele corresse e ele simplesmente caminhou, passo-a-passo, como sempre faz. Quantas vezes choramos e adormecemos em meio as lágrimas, enquanto ele nos observava em seu ritmo tranquilo – tic-tac,tic-tac.
Ele sempre estava certo e isso não podemos negar. Ele já foi o fim, o começo, o meio e as vezes tudo simultaneamente: o fim do sofrimento, o começo da alegria, o meio das nossas vidas.
E hoje – porque fomos presenteados com o “hoje” – temos um ao outro como consequência do tempo. E como valeu a pena esperar! Então percebemos que ele sempre foi nosso aliado e que se ele não transcorresse exatamente assim, não seríamos quem somos.
Bruna Ramos


A Vida Segue


Então de repente não éramos mais aquilo que sempre fomos. E quando pensei em me aproximar, nos afastamos. Um pequeno vendaval pôs fim a você, a mim e ao ‘nós’ que existia. Teus sorrisos nos retratos só mostram um passado remoto, longe, um ontem tão perto, um perto tão distante. E da pra imaginar que hoje ficamos sem assunto?
Caminhamos juntos, compartilhando sorrisos e lágrimas e não sabendo mais teu estado de espírito, não posso mais estender-te a mão. E quem fará isso por mim? A vida já se encarregou de me substituir. E te substituir também. Mas o espaço sempre ficará lá, vazio.
Sou feliz ainda e sei que também és. Mas não consigo olhar para trás sem nostalgia, porque não queria olhar para trás. Simplesmente queria olhar para o lado. Ter todos ao meu lado. E me desfazer desse medo de perder mais alguém. Ou pior, me tornar um estranho para quem carregou consigo o meu coração. Mas a vida segue seu curso. E eu também sigo. E juntos prosseguimos.

Bruna Ramos

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Baile de Reveillon

De arma em punho, me coloquei a caminhar. Andava desnorteada, trôpega, quase sem noção do mundo ao meu redor. Determinada, continuei o caminho a largos passos, com um único e pulsante pensamento em companhia. Não sabia aonde chegaria, mas sabia que estava na direção certa e talvez o resultado fosse melhor que o planejado: fosse esplêndido, magnífico, um show digno da corte.
Cansada de carregar a arma, descansei-a em minha cintura enquanto ela reluzia sorridente, feliz em saber o que em breve faria. Arrependimento nunca fora um dos meus sentimentos mais presentes e a covardia também não, por isso ela sorria: eu não voltaria atrás.
Cheguei. Vi o de longe com a camisa que eu mais gostava. Ele parecia feliz, sempre com um sorriso estampado no rosto. Enquanto eu me sentia cansada e ofegante, um trapo, vestido de farrapos na alma e no corpo. Segui determinada em sua direção, empunhei a arma, segurando tão forte que meus dedos doíam: eu não podia errar.
Um tiro. Foi o que bastou. Fogos de artifício. Meia-noite. Reveillon. Gritos e sorrisos misturavam-se. Ele me olhava confuso e tudo estava como em câmara lenta. “Desculpe-me”, foi a única coisa que eu disse. E dali em diante fisguei seu coração para sempre!

domingo, 13 de novembro de 2011

Valsa das palavras

Ah se eu pudesse rasgar o peito e colocar tudo para fora em um grito!

E assim diminuir do coração a pesada carga que ele tem carregado há tempos,

deixando a alma mais leve, o sorriso mais sincero, os amores mais livres.

Quem me dera dissolver no vento toda culpa e medo que às vezes me acompanham

e não ouvir mais seus conselhos.

Libertação não é algo fácil. Às vezes é necessário deixar em cativeiro alguns sentimentos, para que você mesmo não desabe quando eles se forem.

Eis aqui o meu modo sutil de libertação, eis aqui o meu peito se rasgando sobre o papel, encharcando- o com palavras ensanguentadas.

Escutem o meu grito soando e sintam o peso que elas carregam em si. Não veem que estou mais leve?

Posso vê-las dançando em círculos pelo ar, tão fluidas, tão graciosas

Sinto que posso palpa-las.

Depois de transcritas para o papel elas não me parecem à expressão do sofrimento,

a beleza da poesia transformou-as,

E por um breve momento esqueço o que elas significam.

Bruna Ramos

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ADEGA DAS DORES


A dor só é boa quando curtida e envelhecida; guardada e sufocada; liberta e expressada.

Dor é boa quando de tão dorido o coração gemer e houver tremores na alma e fizer você em sussurros dizer: “Deus, vou morrer no caminho”.

Ah, como a dor é boa em meio às lágrimas torrenciais, quentes e urgentes que percorrem a face, encobrindo gritos presos na garganta.

Oprimindo, quebrantando, entristecendo, desesperando.

Fadigando, tirando seu rumo, seu brilho, sua motivação.

Nunca vi as pessoas mais rendidas aos braços do Criador como em meio à dor.

Nada nos leva para tão perto d’Ele, do Seu aconchego, Seu colo, Seu acalento.

Doce se torna a dor quando a voz do meu Mestre sufoca o pranto, com voz meiga e suave relembrando quão ínfima ela é diante da Sua glória.

Quem dera na minha adega, ter dado valor a cada peça que tenho guardada!

Estaria tão perto d’Ele.

Seríamos um.

sábado, 25 de junho de 2011

Saudade Conhecidamente Desconhecida


Hoje a saudade, minha companheira diária, acordou-me com um café da manhã na cama. Resmunguei-lhe alguns impropérios, não queria ser acordada tão cedo, porém ela decidida disse que não iria a lugar algum, então cedi e lhe dei atenção. Conversamos durante longas horas, ela alegou insensibilidade de minha parte, que se sentia incompreendida e insatisfeita, respondi-lhe que me sentia em igual situação em relação a ela.

Exaltamo-nos, gritamos e choramos penosamente tentando mostrar os erros uma da outra, afinal alguém tinha que levar a culpa. O que ela queria de mim? O que eu não estava dando a ela? Por que eu não conseguia realizar seus desejos? Enquanto essas perguntas não tinham respostas, travávamos uma batalha diária, onde ambas saíamos desgastadas.

Após um tempo incontável, caiu sobre nós um silêncio súbito, então nos olhamos exaustas e abatidas, eu via a minha e a sua tristeza refletida em seu olhar e naquele momento sabíamos que havia acabado. A nossa batalha diária terminaria ali. Conhecíamos a verdade: aquele impasse não havia sido resolvido, porém ambas estávamos sem força para continuar, então num momento de íntima compreensão, ela retirou-se levando consigo a bandeja do café da manhã, deixando comigo um silêncio assustadoramente reparador.

Bruna Ramos

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Tempo do Perdão


Agora não! Deixa-me primeiro estancar o coração, que ferido geme a mais triste canção. Permita-me chorar minhas lágrimas, esbravejar acusações ocultamente, tentar entender porque as feridas foram abertas e assumir minha parcela de culpa. Dê-me tempo para lidar com minha dor, para habituar-me a ela, espere até que a dor e eu tornemo-nos amigas e depois nos procure.

Busque-me quando a alma estiver cicatrizada e as emoções tornarem-se brisas, quando pelo e por amor tudo for explicado e perdoado. Por enquanto, quero solidão, tempo e compreensão, e talvez um pouco de paz . Por isso suplico-te mais uma vez: Agora não, deixa-me primeiro estancar o coração...

Bruna Ramos

domingo, 27 de março de 2011

Atos Falhos

Saído da mesma caixa, porém veio datado de 08 de dezembro de 2008...

Outra vez errei. Fiz aquilo que prometi a mim mesma que não iria mais fazer, magoei pessoas que não mereciam, não me entreguei de corpo e alma a um projeto importante, não fui a busca da pessoa que amo.

Mais uma vez falei quando devia apenas calar-me, não disse a verdade, por medo de magoar, senti-me só, embora rodeada de muitas pessoas, não amei a quem me ama e amei a quem não merecia.

Novamente obtive respostas negativas e chorei. Sim chorei! E sei que vou chorar muitas outras vezes e será bom. As lágrimas lavam minha alma, meu interior, minha mente e levam-me a perdoar a mim mesma por fazer tudo outra vez.

Bruna Ramos

Você

Esse texto estava enterrado em uma caixa de lembranças de uma amiga. Ele foi escrito a mais ou menos três anos atras,quando eu ainda "engatinhava literariamente",mesmo assim quero compartilhar com vocês...


Você, meu amor, minha dor, meu lamento, meu tormento, meu alimento, minha ilusão, minha paixão. Envolve-me, abala-me, desconcentra-me, ignora-me, não me responde, cala-se, fecha-se, protege-se. Enquanto eu faço-me transparente, aberta, sorridente, mostrando-me na mais pura verdade, tentando ser quem realmente sou, tentando fazer você ver quem sou...

Sei que por muito tempo fechei-me, me escondi, me protegi, embora não quisesse, não devesse... Perdi tempo, oportunidades, meu sonho, minha esperança e enfim você! Ti perguntarás como posso perder o que nunca tive. Simples! Perdi por que não tentei, não lutei, não me esforcei, chorei, lamentei, gritei e até calei-me, porém não te esqueci. Não me desliguei, nem te abandonei, não “me” abandonei, nem poderia, nem conseguiria, nem tentaria e muito menos o faria.

Talvez você nunca chegue a ser por inteiro meu, mas ainda serás meu. Será minha uma parte tua, a lembrança, a esperança, a confiança e assim serás meu. Não totalmente, mas não me importarei, me conformarei e te amarei assim mesmo, meu amor, minha dor, meu lamento, meu tormento, minha ilusão, minha paixão, meu sonho.

Bruna Ramos