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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Triste Canção

O mar parecia calmo, a brisa soprava suave movendo lentamente os seus cabelos. Sei que não deveria, mas eu achava-a linda por trás daquelas lágrimas. A minha vontade era de correr e abraça-la, entretanto a única reação que tive foi vê-la dar as costas. Eu ali, tão inabalável, tão centrado e ela triste, decidida, não mais minha.
Caí de joelhos e a areia me recepcionou macia, o vento soprou mais forte e as folhas das palmeiras gemeram em protesto, seria por mim ou pelo vento? A chuva começou a banhar-me, sendo difícil dizer se chovia mais dentro ou fora de mim, embora isso já não importasse. Deitei-me ao lado de suas pegadas, tentando buscar parte dela, porém a chuva cruel apagou qualquer vestígio de sua presença – ou terá sido minhas lágrimas?
Ainda no chão, virei-me para o Céu e senti as gotas acariciarem meu rosto dizendo “sinto muito”, sendo gentis choraram comigo a minha dor. Senti as águas do mar encostar em minha pele, parecia querer abraçar-me, a natureza e eu estávamos em sintonia. Permaneci imóvel, sentindo o mar tomar-me em seus braços, fechando os olhos para sentir – ou não sentir, quem sabe? – entendendo que aquilo poderia ser o fim ou o começo, e as duas coisas ao mesmo tempo.
Foi então que senti um outro abraço. Tão desesperado, tão urgente, tão familiar. O cheiro, a pele macia, o abraço apertado em um encaixe perfeito, nada daquilo era estranho. Abri os olhos. Lá estava ela, linda a minha frente e numa fração de tempo, eu não podia mais tocá-la.

sábado, 31 de agosto de 2013

Renovo


Os planos existentes já não cabem mais em mim, apertam os meus pés de modo que já não posso caminhar direito. É preciso renovar os sonhos ou talvez os personagens, não estou certa do que exatamente, mas sei que é preciso. Difícil é começar uma jornada sem saber de que ponto partir, o que levar na mala e o que levar apenas na lembrança.
Talvez seja o medo de me desfazer das coisas ou de agregar outras novas, mas algo me prende aqui e isso está a me corroer. É preciso ter coragem para seguir em frente e mais ainda, ter força de vontade para não olhar atrás. O passado compõe o que somos hoje, devemos ser gratos pelo bem - ou mal – que ele nos fez, mas nunca devemos ser escravos e aí está a questão.

Será a escravidão do passado que está a prender tantos na eterna rotina da infelicidade? Será mesmo os sentimentos que nos prendem? Mas de que sentimento estamos falando, o amor ou o medo? Ou pior ainda, o conformismo? Que eu nunca me acostume com um estilo “mais-ou-menos” de viver, onde essa gangorra pende sempre para o lado “menos” de ser. Menos espontânea. Menos sorridente. Menos feliz. Quero uma vida “mais”, uma vida nova. Um renovo. Re-novo. De novo. Sempre que eu precisar.
Bruna Ramos