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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ADEGA DAS DORES


A dor só é boa quando curtida e envelhecida; guardada e sufocada; liberta e expressada.

Dor é boa quando de tão dorido o coração gemer e houver tremores na alma e fizer você em sussurros dizer: “Deus, vou morrer no caminho”.

Ah, como a dor é boa em meio às lágrimas torrenciais, quentes e urgentes que percorrem a face, encobrindo gritos presos na garganta.

Oprimindo, quebrantando, entristecendo, desesperando.

Fadigando, tirando seu rumo, seu brilho, sua motivação.

Nunca vi as pessoas mais rendidas aos braços do Criador como em meio à dor.

Nada nos leva para tão perto d’Ele, do Seu aconchego, Seu colo, Seu acalento.

Doce se torna a dor quando a voz do meu Mestre sufoca o pranto, com voz meiga e suave relembrando quão ínfima ela é diante da Sua glória.

Quem dera na minha adega, ter dado valor a cada peça que tenho guardada!

Estaria tão perto d’Ele.

Seríamos um.

sábado, 25 de junho de 2011

Saudade Conhecidamente Desconhecida


Hoje a saudade, minha companheira diária, acordou-me com um café da manhã na cama. Resmunguei-lhe alguns impropérios, não queria ser acordada tão cedo, porém ela decidida disse que não iria a lugar algum, então cedi e lhe dei atenção. Conversamos durante longas horas, ela alegou insensibilidade de minha parte, que se sentia incompreendida e insatisfeita, respondi-lhe que me sentia em igual situação em relação a ela.

Exaltamo-nos, gritamos e choramos penosamente tentando mostrar os erros uma da outra, afinal alguém tinha que levar a culpa. O que ela queria de mim? O que eu não estava dando a ela? Por que eu não conseguia realizar seus desejos? Enquanto essas perguntas não tinham respostas, travávamos uma batalha diária, onde ambas saíamos desgastadas.

Após um tempo incontável, caiu sobre nós um silêncio súbito, então nos olhamos exaustas e abatidas, eu via a minha e a sua tristeza refletida em seu olhar e naquele momento sabíamos que havia acabado. A nossa batalha diária terminaria ali. Conhecíamos a verdade: aquele impasse não havia sido resolvido, porém ambas estávamos sem força para continuar, então num momento de íntima compreensão, ela retirou-se levando consigo a bandeja do café da manhã, deixando comigo um silêncio assustadoramente reparador.

Bruna Ramos