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domingo, 13 de novembro de 2011

Valsa das palavras

Ah se eu pudesse rasgar o peito e colocar tudo para fora em um grito!

E assim diminuir do coração a pesada carga que ele tem carregado há tempos,

deixando a alma mais leve, o sorriso mais sincero, os amores mais livres.

Quem me dera dissolver no vento toda culpa e medo que às vezes me acompanham

e não ouvir mais seus conselhos.

Libertação não é algo fácil. Às vezes é necessário deixar em cativeiro alguns sentimentos, para que você mesmo não desabe quando eles se forem.

Eis aqui o meu modo sutil de libertação, eis aqui o meu peito se rasgando sobre o papel, encharcando- o com palavras ensanguentadas.

Escutem o meu grito soando e sintam o peso que elas carregam em si. Não veem que estou mais leve?

Posso vê-las dançando em círculos pelo ar, tão fluidas, tão graciosas

Sinto que posso palpa-las.

Depois de transcritas para o papel elas não me parecem à expressão do sofrimento,

a beleza da poesia transformou-as,

E por um breve momento esqueço o que elas significam.

Bruna Ramos

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ADEGA DAS DORES


A dor só é boa quando curtida e envelhecida; guardada e sufocada; liberta e expressada.

Dor é boa quando de tão dorido o coração gemer e houver tremores na alma e fizer você em sussurros dizer: “Deus, vou morrer no caminho”.

Ah, como a dor é boa em meio às lágrimas torrenciais, quentes e urgentes que percorrem a face, encobrindo gritos presos na garganta.

Oprimindo, quebrantando, entristecendo, desesperando.

Fadigando, tirando seu rumo, seu brilho, sua motivação.

Nunca vi as pessoas mais rendidas aos braços do Criador como em meio à dor.

Nada nos leva para tão perto d’Ele, do Seu aconchego, Seu colo, Seu acalento.

Doce se torna a dor quando a voz do meu Mestre sufoca o pranto, com voz meiga e suave relembrando quão ínfima ela é diante da Sua glória.

Quem dera na minha adega, ter dado valor a cada peça que tenho guardada!

Estaria tão perto d’Ele.

Seríamos um.